quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Os melhores partem primeiro

Escreveu Plauto que "morre jovem o que os Deuses amam". Ocorreu-me esta ideia - talvez falsamente tranquilizadora - ao regressar há pouco do funeral da Isabel de Sousa.
Ainda não há muito tempo o Joaquim Mestre nos deixou e, agora, passados poucos meses, foi a Isabel que partiu. Não se aplicando literalmente o princípio proposto pelo dramaturgo, permito-me transformá-lo no enunciado que dá o título a esta nota.
Deuses egoístas estes, ou doenças estúpidas, que retiram ao nosso convívio os colegas mais brilhantes, mentes intranquilas, que tanto nos inspiraram, e ainda muito mais mais nos poderiam ensinar e estimular.
Com ambos convivi, sem poder propriamente reivindicar uma grande amizade ou uma intimidade muito próxima. Mas de ambos recebi lições pelo exemplo inovador, pela militância incansável, pela generosidade da entrega a uma causa: a das bibliotecas públicas e da promoção da leitura.
Por agora, ficámos mais pobres e mais sós. Mas estou certo que os seus exemplos inspiradores hão-de ser recordados e reviver nos conhecimentos e nas práticas de muitos colegas, principalmente dos mais jovens. 


segunda-feira, 11 de outubro de 2010

domingo, 3 de outubro de 2010

Gestão de colecções e análise das necessidades da comunidade

A pergunta que em tempos idos (muito idos...) fiz a uma colega sobre quem decidia acerca da compra dos livros para as bibliotecas escolares, bem como a resposta obtida, estão na origem do facto de ter vindo a optar pela profissão de bibliotecário. 
A questão da constituição das colecções era já então para mim, intuitivamente, fulcral para o êxito ou fracasso de uma biblioteca. Até porque via no meu dia a dia de professor do ensino secundário que não havia na biblioteca escolar os livros e outros recursos que alunos e professores precisavam. Como eram eles adquiridos? Quem os escolhia? Que critérios eram seguidos? Ninguém me sabia dar a resposta.
Passaram mais de vinte anos e algumas coisas mudaram, mas o desinteresse (real, ainda que muitas vezes disfarçado) pela constituição e desenvolvimento das colecções continua a ser regra, com algumas poucas excepções. A Gestão de Colecções é uma disciplina essencial dos cursos de estudos de informação e de bibliotecas, mas tem infelizmente uma prática muito reduzida em Portugal. Uma simples busca no Google demonstra isto sem margens para dúvidas.
E contudo, o texto que se segue é retirado de um documento orientador básico, que nenhum bibliotecário desconhecerá. Aqui fica, para uma leitura atenta.

Análise das necessidades da comunidade
De modo a fornecer serviços que vão ao encontro das necessidades de toda a comunidade, a biblioteca pública tem em primeiro lugar de proceder à determinação dessas necessidades. Como as necessidades e as expectativas estão sujeitas a mudanças, este processo terá de ser repetido a intervalos regulares, provavelmente de cinco em cinco anos. Uma avaliação das necessidades de uma comunidade é um processo no qual a biblioteca recolhe informação pormenorizada sobre a comunidade local e as suas necessidades e serviços de biblioteca e de informação. O planeamento e o desenvolvimento de políticas baseiam-se no resultado desta avaliação, possibilitando assim a adequação dos serviços às necessidades. Em alguns países, a realização de um inquérito às necessidades de informação da comunidade é um requisito legal da autoridade local. A informação a ser recolhida incluirá:
·          dados sociodemográficos sobre a comunidade local, como por exemplo, o perfil etário e de sexo, a diversidade étnica e o nível educacional
·          dados sobre organizações na comunidade, como, por exemplo, instituições educativas, centros de saúde, hospitais, estabelecimentos prisionais, organizações voluntárias
·          informações sobre empresas e comércio na localidade
·          a área de captação da biblioteca, ou seja, onde os utilizadores da biblioteca vivem em relação às instalações da biblioteca
·          padrões de transporte na comunidade
·          serviços de informação fornecidos por outras organizações na comunidade
Esta não é uma lista exaustiva e seria necessária uma investigação mais aprofundada para determinar a informação necessária para avaliar as necessidades de informação da comunidade em cada situação. No entanto, o princípio da elaboração de um perfil da comunidade, permitindo ao bibliotecário e ao órgão da tutela planear o desenvolvimento e a promoção de serviços com base nas necessidades da comunidade, é importante seja qual for o contexto local. A avaliação deve ser complementada através de sondagens regulares aos utilizadores, com a finalidade de determinar quais os serviços de biblioteca e de informação pretendidos pelo público e a que nível, e a sua opinião sobre os serviços prestados. O trabalho de sondagem deve ser conduzido por especialistas e, para obter resultados mais objectivos, por uma organização externa, sempre que haja disponibilidade de recursos.

Os serviços da biblioteca pública : directrizes da IFLA/UNESCO (2001). 
[Lisboa] : Caminho, [2003].  (Caminho das bibliotecas & informação), pp. 107-108

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Methods for Qualitative Management Research in the Context of Social Systems Thinking

Methods for Qualitative Management Research in the Context of Social Systems Thinking
I would like to inform you that FQS 11(3) -- "Methods for Qualitative Management Research in the Context of Social Systems Thinking"
(http://www.qualitative-research.net/index.php/fqs/issue/view/35),
edited by Patricia Wolf, Jens O. Meissner, Terry Nolan, Mark Lemon, René John, Evangelia Baralou & Silke Seemann -- is available online (see http://www.qualitative-research.net/index.php/fqs/issue/archive for former issues). In addition to articles relating to "Methods for Qualitative Management Research," FQS 11(3) provides a number of selected single contributions (f.e. on sampling, the role of maps for visualizing knowledge, and discourse analysis), as well as articles belonging to FQS Reviews.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Conselhos sobre o uso do tempo para estudantes de doutoramento

Referindo vários estudos levados a cabo, com especial incidência no Reino Unido, Emília Araújo deixa dez conselhos muito úteis sobre o uso do tempo, num livro que bem vale a pena ler.
  1. Procurar trabalhar sempre que a tarefa o permita num lugar que não esteja relacionado com outras atribuições (familiares, domésticas, administrativas).
  2. Seguir um plano de trabalhos definido pelo doutorando e seu orientador respeitando de forma estrita um horário de trabalho
  3. Resistir à tentação de colocar outras tarefas (por exemplo as domésticas) em primeiro lugar.
  4. Reservar no final do dia e da semana tempos destinados ao desporto, à família e a outras actividades informacionais e recreativas. Resistir à tentação de quebrar estas rotinas mesmo em alturas de "pico", como, por exemplo, a entrega de um artigo ou de um capítulo.
  5. Mostrar aos familiares, amigos e outros vizinhos que, apesar de não ter horários obrigatoriamente delimitados, cumpre um tempo de trabalho dentro de certas horas, não podendo ser incomodado com outras dúvidas.
  6. Evitar programar mudanças de casa ou alterações na decoração do espaço de residência durante a realização do doutoramento e preferir decorações simples e leves.
  7. Preferir trabalhar durante o dia, reservando tempo necessário para dormir.
  8. Evitar convidar amigos e outros familiares para visitar a sua residência durante este período, se isso requerer muito tempo de preparação: preferir visitá-los.
  9. Se tiver filhos, aproveitar toda a disponibilidade oferecida por familiares para cuidar deles em certos períodos ou passar com eles alguns dias.
  10. Aproveitar todos os momentos, mesmo quando não está directamente a trabalhar, para pensar sobre o trabalho, mantendo activos os projectos.




ARAÚJO, Emília Rodrigues, 1971- - O doutoramento : a odisseia de uma fase da vida. Lisboa : Colibri, 2006.

1º Encontro dos Bibliotecários da Beira Interior

1º Encontro dos Bibliotecários da Beira Interior
(Informação obtido através do sítio da RCBP/DGLB)
Rede Nacional de Bibliotecas Públicas
DATA :
24-09-2010
No dia 24 de Setembro realizou-se o Primeiro Encontro dos Bibliotecários da Beira Interior que reuniu todos os concelhos do Distrito de Castelo Branco. As Bibliotecas Municipais do distrito estão pois de PARABÉNS!

Foi efectivamente neste Encontro que todos os responsáveis pelas Bibliotecas Municipais do distrito se conheceram pela primeira vez e tal facto deu um tom especial e festivo a este dia de trabalho. Cada uma das Bibliotecas foi caracterizada, tornando evidente a necessidade de intercâmbio e de cooperação regular entre todos.

Os participantes ficaram ainda a conhecer a Biblioteca de Vila Velha de Ródão, a generosa anfitriã do Encontro, onde a par da formalização da Rede Distrital Bibliotecas Públicas também houve lugar ao convívio.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

“Ilusão (ou o que quiserem)” de Luísa Costa Gomes vence Prémio Fernando Namora - Cultura - PUBLICO.PT

O romance “Ilusão (ou o que quiserem)”, de Luísa Costa Gomes, é o vencedor do Prémio Literário Fernando Namora/Estoril Sol, pela inovação e ágil registo estilístico, como assinalou em acta o júri.
O blogue "De rerum natura" publica um pequeno mas interessante excerto aqui.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Em Lisboa, já em Outubro, workshop sobre Investigação Qualitativa Apoiada por Computadores. A não perder!

3rd European workshop on Computer-Aided Qualitative Research 2010
Meeting the challenges and opportunities of integrating software into qualitative research
7-8 October 2010, Lisbon

About the workshop:
The 3rd annual European workshop on Computer-Aided Qualitative Research 2010 (Twitter hashtag #CAQRE) will be held on the 7 & 8 October 2010 in Lisbon. This international workshop will be co-organised by Lisbon University Institute(ISTCE-IUL). The aim of the workshop is to bring together researchers, practitioners and trainers to discuss the key challenges and opportunities of advancing qualitative research using software


Leia mais

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

No shelf required

No shelf required é um excelente blogue para discutir as questões levantadas pelos ebooks às bibliotecas. Muito participado, e com discussões informadas sobre diversos aspectos.E não deixa de me surgir a questão angustiante: porque é que em Portugal não somos capazes de fazer estas discussões? Ou outras quaisquer sobre os enormes problemas que afligem a nossa profissão. Ou será que já nada nos aflige?

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

E-books de autores lusófonos à venda na MediaBooks - Cultura - PUBLICO.PT

E-books de autores lusófonos à venda na MediaBooks - Cultura - PUBLICO.PT
O grupo editorial Leya começou ontem a vender livros digitais através da MediaBooks, a sua livraria on-line (www.mediabooks.pt) que também transacciona livros impressos. Mais de 100 livros de autores lusófonos estão agora disponíveis em formato e-book, podendo ser lidos em computadores (PC e Mac) e na generalidade dos leitores portáteis disponíveis no mercado nacional.